Caderno de Campo (O Almonda, 14/4/2017)

No último trimestre de 2016 a ADPTN foi desafiada por um conjunto de cidadãos a marcar presença numa reunião na Junta de Freguesia de Carnide em Lisboa. A reconhecida participação cívica e associativa dos subscritores do convite tornou-o irrecusável. Ali encontrou-se uma sala cheia de movimentos sociais e personalidades de referência em matérias de ambiente, economia social e desenvolvimento local sustentável.
Pela primeira vez, desde a refundação da ADPTN, partilhou-se um espaço amplo e plural onde se juntaram sindicalistas, professores universitários, associações de moradores, a Animar, RedPes, Liga Operária Católica, ZERO e a SOS Racismo. A possibilidade de criar parcerias, bem como o diálogo que se iniciou sobre os paradigmas de desenvolvimento que se desejam para as escalas nacional e local bem como os temas que se debateram, da economia ao ambiente, da educação à cultura tornaram este espaço de debate incontornável para a ADPTN.
Em formato de assembleia participativa, sem ordem de trabalhos e horário para terminar, partilharam-se muitas preocupações, das dificuldades apresentadas muitas estão ligadas a exemplos concretos para o trabalho da ADPTN. O facto de um outro torrejano, Rogério Roque Amaro, ser uma figura de referência do projecto somou confiança para a subscrição do “Manifesto por um futuro solidário” e a integração, desde a primeira hora, na Comissão Organizadora do FASE.
O Fórum Ambiental Social e Económico, que realizou há poucos dias o seu primeiro encontro de subscritores, pretende um novo paradigma e uma abordagem transversal de três grandes temas: ambiente, sociedade e economia. Para isso convergiram no FASE dois grandes processos e movimentos de confluência: o Fórum Social Mundial e do Fórum Europeu da Economia Social e Solidária.
O FASE procura novas soluções através do desenvolvimento de modelos alternativos de economia sustentável e quer apresentar ao governo as experiências que proliferam pelo território nacional e que, devidamente difundidos, poderão tornar-se modelos de desenvolvimento de base local com aplicabilidade à escala nacional.
Este novo espaço de confluência de agendas, de reivindicações e de amplificação das boas práticas e dos bons exemplos quer promover nos próximos meses acções descentralizadas, em todos os distritos, para levantamento de realidades locais e troca de experiências. No final de Maio realizar-se-á em Lisboa uma assembleia magna para aprovação de um documento reivindicativo. Ao contrário de experiências pontuais de outros Fóruns, o FASE pretende ser um processo contínuo, plural e o alargado e a ADPTN congratula-se de ser pioneira deste novo Fórum, como subscritora colectiva, com subscritores individuais entre os seus associados e contar ainda com um representante na Comissão Coordenadora.
O convite que fazemos a quem se identifica com o projecto, é que o subscreva também!

Romão Ramos, Técnico de Arqueologia.
Dirigente Associativo

O caderno de campo é a ferramenta usada pelos investigadores de diversas áreas do conhecimento (como a biologia, a geologia, a geografia, a sociologia, a literatura, a arquitetura, a antropologia, as belas artes e outras) para anotar as observações das saídas de campo ou reflexões avulsas.