Vez e Voz DEZEMBRO 2013

VVcapaDEZ2013SUMÁRIO

EDITORIAL
1 Animar - 20 anos pelo Desenvolvimento Local
Eduardo Figueira

ANIMAR 2013: PERSPECTIVAS E TESTEMUNHOS
20ª ANIVERSÁRIO
4 Nos 20 anos da rede Animar
António Barata
9 Uma Voz constante na defesa do Desenvolvimento Local
Fernando Capela Miguel
11 Mais que nunca a Rede Animar faz todo o sentido
Alcides A. Monteiro
13 I Encontro Internacional de Economia Solidária - Finanças e Incubação Social e Solidária
António Barata
17 A Animar e o empreendedorismo
João Silva

ANIMAÇÃO TERRITORIAL
19 Animar e capacitar o território - o Fórum Local de Desenvolvimento de Montoito
Jorge Coelho

30 COOPERATIVISMO E DESENVOLVIMENTO
Cooperativa do Povo Portuense – numa cooperativa não existe o ‘eu’ mas sim o ‘nós’
Paulo Jorge Teixeira

36 DESENVOLVIMENTO E EDUCAÇÃO
Desenvolvimento Local e educação de adultos
Eduardo Figueira e Armando Garcia

50 DESENVOLVIMENTO E ECONOMIA SOLIDÁRIA
Baldios: um veículo (possível) para o Desenvolvimento Local
Diogo Frazão

59 DESENVOLVIMENTO E REABILITAÇÃO URBANA
Expansão urbana e qualidade de vida
Fernando Santos Pessoa

60 EMPREGO, ECONOMIA E REDE ANIMAR
Cooperativa Terra Chã - Uma boa prática à luz do empreendedorismo social
Cristina Parente

EDITORIAL
ANIMAR – 20 ANOS PELO DESENVOLVIMENTO LOCAL

Este número da revista Vez e Voz é editado no fim do ano em que a Animar celebrou os seus 20 anos de existência. Vinte anos é uma linda idade para uma pessoa e, analogicamente, para uma organização. Estamos pois na flor da idade, isto é, no início da idade adulta e, nesse sentido, devemos a partir de agora, com base na experiência e responsabilidade adquiridas, promover o desabrochamento da “flor”, acrescentando-lhe novas e diferentes pétalas que, transportando o “adn” original, tragam novas diferenciações que permitam encarar com optimismo os desafios contemporâneos que se colocam ao Desenvolvimento Local.

Das várias novas pétalas que, com o “adn” original, a Animar tem vindo a promover e afirmar devemos destacar a capacidade do Desenvolvimento Local (DL) gerar sociedades mais democráticas através da promoção da cidadania activa das comunidades locais quer em espaços rurais como urbanos. Esta capacidade do DL é, aliás, uma das condições para que o Desenvolvimento Local se afirme como uma estratégia sustentável e duradoura para a promoção das economias locais e, consequentemente, para a melhoria da qualidade de vida das respectivas comunidades. Contudo, esta pétala, sendo condição necessária, não é suficiente para fazer desabrochar na sua plenitude a flor que queremos ver florir nos territórios locais. É necessário juntar mais pétalas e ainda criar uma base para a sua sustentação. Isto é, consideramos fundamental promover e fortalecer parcerias locais estratégicas que tomem na sua mão o desenho e condução das estratégias de Desenvolvimento Local para os respectivos territórios. Estas estratégias locais de desenvolvimento que devem assentar em intervenções de natureza multissectorial em detrimento das ineficazes (e já estafadas) lógicas sectoriais, deverão não só valorizar os produtos locais como diversificar a economia criando emprego ligado às iniciativas locais. Só trilhando este caminho se conseguirá verdadeiramente atingir resultados duradouros de desenvolvimento para as comunidades e territórios locais.

Sem diminuir a importância do papel que as empresas privadas, nomeadamente as PMEs, desempenham na promoção do Desenvolvimento Local, através da produção de bens e serviços necessários para a vida em sociedade, não nos podemos esquecer da relevância do papel único das organizações da Economia Social e Solidária para esse Desenvolvimento. O universo da Economia Social e Solidária, diverso e muito rico, tem a capacidade não só de contribuir para a economia local através da produção de bens e serviços como ainda possui a indispensável natureza solidária que é essencial para o Desenvolvimento da Sociedade Humana.

Desenvolvimento Local e Economia Social e Solidária são pois os dois universos em que a Animar tem centrado as suas actividades e preocupações e para os quais pretende estrategicamente continuar a contribuir a partir da experiência adquirida no quadro dos valores e princípios que constituem a sua matriz constitutiva. Por outro lado, consciente das contingências do tempo e do espaço e reconhecendo que o “caminho se faz caminhando”, a Animar, no período pós 20 anos que agora se inicia, olha para o futuro com optimismo convicta de que o Desenvolvimento Local, a Economia Social e Solidária, a Democracia Participativa e a Igualdade de Oportunidades são ingredientes indispensáveis (e inseparáveis) para dar as respostas adequadas à actual crise. Neste sentido, a Animar continuará a promover a participação, a cooperação e a cidadania activa nos territórios e comunidades locais no quadro dos dez vectores estratégicos definidos pela presente Direcção. Isto é, a Animar continuará a pautar a sua acção inovadora e transformadora através da:
· Promoção de uma cultura de partilha, diálogo e trabalho efectivo no seio da Rede;
· Construção de pensamento conceptual e estratégico sobre o Desenvolvimento Local a partir das experiências e vivências do(a)s associado(a)s nos locais e territórios.
· Fortalecimento dos Nós da Rede, valorizando e apoiando as suas associadas e respectivos territórios e comunidades;
· Representação da Rede junto das instituições públicas e dos órgãos de poder;
· Ligação entre os contextos rural e urbano, potenciando a criação de sinergias e a valorização das culturas e da diversidade das economias locais;
· Promoção da reflexão-acção, conceptualizando a intervenção e possibilitando a identificação e uso de boas práticas;
· Sua internacionalização, ligando-se a outras redes e movimentos similares internacionais com especial ênfase nos Espaços Europeu e Lusófono;
· Reconhecimento e valorização do trabalho voluntário de modo a que este possa ser traduzido em valor acrescentado para as economias locais;
· Análise, valorização e promoção das Boas Práticas em termos de Desenvolvimento Local;
· Promoção de uma cultura de respeito pelo Outro, valorizando a diversidade e os afectos.

No quadro desta VISÃO e face à evolução rápida dos contextos sociais, devemos pois FAZER O CAMINHO CAMINHANDO, fazendo ajustamentos ao longo da concretização dos objectivos estratégicos para o que é essencial tomar em consideração as experiências e competências de todos os associados. É neste caminho que queremos seguir convictos que desta forma conseguiremos o total desabrochamento da FLOR em todos os territórios locais.

EDUARDO FIGUEIRA
Presidente da Animar, em representação da Associação ALIENDE