Vez e Voz DEZEMBRO 2009

vvcapaDEZ2009SUMÁRIO

5 Editorial
Políticas activas de emprego e empreendedorismo social
Carlos Ribeiro

7 Cooperação e vínculos em Arranjos Produtivos Locais: o caso do artesanato em madeira de Juazeiro do Norte - CE
Paulo Tersio de Oliveira, Rosemary de Matos Cordeiro, Christiane Luci Bezerra Alves
49 Empreendedorismo: a experiência do Monte, ACE no Alentejo Central
Marta Alter e João Antunes
57 A Importância do Empreendedorismo
João Pedro
57 Empreendedorismo como desafio e solução
Carlos Ribeiro

88 NOTÍCIAS BIBLIOGRÁFICAS
92 ESTATUTO EDITORIAL
93 NORMAS DE PUBLICAÇÃO

EDITORIAL

Políticas activas de emprego e empreendedorismo social

O esforço para agir na situação do desemprego em Portugal tem-se intensificado nos últimos tempos. A estratégia face à crise tem passado, em primeiro lugar, pelas políticas em torno do emprego e no combate a um aumento drástico do desemprego. A principal expectativa está do lado da economia, que cresça nos próximos meses e que por essa via surjam novas necessidades de mão-de-obra para os empregadores que se traduzam em novas oportunidades para os trabalhadores assalariados. De qualquer forma, a par desse desejo de crescimento económico, têm surgido na praça pública iniciativas governamentais para incentivar a contratação de jovens e ainda várias medidas de protecção social ao emprego com efeitos nem sempre imediatos.

A dúvida reside na sua eficácia, sabendo-se que o contingente de desempregados integra um elevadíssimo número de trabalhadores com baixos níveis de qualificação e com dificuldades acrescidas de adaptação a novos postos de trabalho. Trata-se portanto de equacionar a questão na sua dimensão mais estrutural e sendo assim, também do lado das soluções, apresentar outras que as meramente circunstanciais e pontuais.

Numa abordagem em maior profundidade importa estabelecer uma relação fundamental entre as políticas activas de emprego e o empreendedorismo social.

Não é mais possível, nas actuais condições económicas e sociais, reduzir as alternativas de prestação de trabalho ao emprego por conta de outrem. Do lado da procura têm que ser equacionadas soluções mitigadas, de composição diferenciada que se podem traduzir em fórmulas de responsabilização profissional intermédias comparando-as com as de base empresarial. De qualquer forma a aceitação de percursos profissionais mais erráticos deve ter do lado da oferta um campo de soluções muito mais amplo que faça apelo a uma maior autonomia e a um espírito empreendedor mais intenso.

É neste contexto que as Oficinas para a Empregabilidade e o Empreendedorismo que a Animar dinamizou nos últimos tempos em parceria com vários dos seus associados adquirem uma nova importância por fornecerem um sinal inequívoco de aposta numa maior diversidade de soluções e numa maior responsabilização das associações de desenvolvimento local na definição de alternativas às políticas de emprego unilaterais na sua aplicação e nos seus horizontes.

Combinar de forma inovadora e combativa as políticas activas de emprego com a empreendedorismo social eis um desafio para os próximos tempos que a Animar aceitará de bom grado por sentir que pode contribuir para um desenvolvimento mais sustentável e mais solidário.

Carlos Ribeiro
Director da Animar para a Informação e Comunicação
Presidente da ANOP - Associação Nacional de Oficinas de Projecto