Vez e Voz JUNHO 2008

SUMÁRIO

5 EDITORIAL
Ao encontro do bem-estar sustentável
Raul Jorge Marques

9 Viver no rural, visitar o rural: a diversidade de percepções face ao ambiente e ao desenvolvimento
Elizabete Figueiredo
21 A Biodiversidade e nós
Henrique Pereira dos Santos
29 Mudar o “país do faz de conta”
Àlvaro Cidrais
39 Responsabilidade Social das Empresas
Abigail dos Santos Vistas
61 Terceiro Sector e Economia Social e Solidária: algumas pistas para reflexão...
Àlvaro Cidrais

REGISTOS
72 Responsabilidade Social, Ambiente e Biodiversidade
José Manuel Alho
79 O valor da Floresta em pé – como equilibrar negócios com conservação e desenvolvimento humano!
João Antonio Prestes

82 NOTÍCIAS BIBLIOGRÁFICAS
90 ESTATUTO EDITORIAL
92 NORMAS DE PUBLICAÇÃO

 

EDITORIAL

Ao encontro do bem-estar sustentável

Não é muito comum dar um título a um editorial, mas os conceitos que dão corpo a este segundo número da Revista Vez e Voz justificam-no porque entendemos que o bem-estar está inevitavelmente ligado à biodiversidade, à sustentabilidade e por razões acrescidas à responsabilidade social.

Mas porquê uma revista temática suportada nesta tríade? Porque entendemos que é necessário construir o bem-estar das pessoas, das organizações e dos territórios numa óptica empreendedora e responsável. Porque acreditamos que ao atingir este objectivo, a produtividade e a sustentabilidade das pessoas, das equipas, das organizações e dos territórios aumenta, facilitando o sucesso!

Como se poderá avaliar pelos diferentes contributos, que muito agradecemos em nome de toda a Direcção, a abordagem foi diversa porque entendemos que os/as autores/as mereceriam reflectir livremente sobre o desafio colocado e que a coerência interna da Revista teria de reflectir a articulação desta liberdade. Pensamos que o conseguimos, mas a última palavra caberá sempre ao leitor!

Mas voltemos ao título do Editorial e à articulação “biodiversidade – sustentabilidade – responsabilidade social”, centrando a nossa atenção neste último aspecto e em duas questões fundamentais: Como melhorar a responsabilidade social das organizações? Quais os benefícios da responsabilidade social?

No que concerne à primeira questão é possível considerar que há um conjunto de intervenções que definem o nível de Responsabilidade Social das organizações e que, habitualmente, andam em torno das seguintes questões:
1. promoção dos Direitos Humanos e da solidariedade inter e intra-geracional, logo da sustentabilidade;
2. relação com clientes e fornecedores;
3. envolvimento social e relação com os stakeholders;
4. gestão (estratégica e operacional) da entidade;
5. gestão e desenvolvimento dos recursos humanos;
6. preservação e regeneração do ambiente e por inerência da biodiversidade.
7. percepção e entendimento que urbanos e rurais têm de diferentes territórios, sua utilidade e utilização, e de como podem ser geridas as tensões decorrentes dessas visões não (ou nem sempre) coincidentes.

Algumas perspectivas sobre a Responsabilidade Social afirmam que o seu “nível” é tanto maior quanto mais fácil for para a organização cumprir os seguintes requisitos:
1. Tomada/criação de uma consciência cívica crítica sobre os caminhos e as propostas políticas que informaram e informam, condicionaram e condicionam as (más) práticas institucionais e da sociedade civil no nosso país relativamente ao tema em questão.
2. Promover o cumprimento dos Direitos Humanos subjacentes à Declaração Universal dos Direitos do Homem proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas;
3. Cumprir os preceitos legais do contexto em que se insere e utilizar formas de contratualização interna e externa que os respeitam;
4. Assumir e desenvolver uma cultura baseada numa concepção estratégica no sentido da sustentabilidade e desenvolvimento da Humanidade e do Planeta;
5. Garantir, através da competência de gestão, a eficiência económica e competitividade que sustentam a saúde financeira da organização no longo prazo;
6. Desenvolver e apoiar os/as colaboradores/as, promovendo a sua autonomia, o seu desenvolvimento pessoal, empowerment e o seu bem-estar;
7. Corresponder às necessidades dos seus clientes e parceiros com produtos e práticas de qualidade;
8. Cumprir acções integradas de transparência organizacional que permitam a avaliação externa das práticas e dos resultados da organização;
9. Realizar sistematicamente práticas de preservação e regeneração ambiental;
10. Promover a existência de práticas de valorização da Cidadania e do Desenvolvimento Comunitário;
11. Possuir práticas de inovação, desenvolvimento e progresso da Humanidade, designadamente, de investigação científica, disponibilizando os seus resultados à Sociedade.

No que respeita a benefícios podem ser elencados três grandes grupos, respectivamente:
- benefícios pessoais (respeito pelos meus direitos pessoais; maior segurança no emprego; orgulho em trabalhar numa organização responsável; desenvolvimento pessoal, mais competências e melhor bem-estar; simpatia e alegria por parte de colegas, clientes e fornecedores; um ambiente mais agradável de vida e de trabalho; uma comunidade mais segura e saudável onde possamos viver; contar com melhores soluções de qualidade de vida; ter um planeta mais decente para os nossos descendentes; mais esperança e melhor tempo de vida);
- benefícios para a entidade (aumentar a satisfação dos/as colaboradores/as; garantir maior segurança no trabalho; atrair e manter os/as colaboradores/as com melhor desempenho; ter um melhor ambiente de trabalho; rentabilizar investimento; aumentar a produtividade, a eficiência e a eficácia; melhorar a qualidade dos produtos e serviços; criar melhores oportunidades de negócio; ganhar respeitabilidade e reputação; ganhar flexibilidade e capacidade de adaptação; ganhar reconhecimento da sociedade no esforço por construir um planeta mais saudável);
- benefícios para a comunidade (melhores soluções de saúde e qualidade de vida; um ambiente social mais agradável; preservação do património ambiental; menos problemas económicos e de emprego; maior segurança mais bem-estar e menos stress).

Admitimos que exista da parte do autor destas linhas uma sobrevalorização dos benefícios, mas preferimos olhar para cima e acreditar que as nossas organizações têm a obrigação de pelo menos concretizarem estes quatro desejos:
- permitirem uma vida menos tensa e mais agradável;
- auxiliarem a construir uma sociedade segura e menos violenta;
- (re)construirem uma sociedade com mais solidariedade intra e inter-geracional;
- deixarem um planeta mais sustentável para todos/as.

Raul Jorge Marques