CPV comemora aniversário com videoconferência

20/01/2021 |
CPV comemora aniversário com videoconferência

Confederação Portuguesa de Voluntariado cumpre 14 anos de existência e CRESAÇOR ganha Troféu Português do Voluntariado 2020

A CPV - Confederação Portuguesa de Voluntariado comemorou o seu 14º Aniversário no dia 19 de janeiro de 2021 com um webinar subordinado ao tema “Voluntariado em Tempos de Pandemia: As Novas Geografias do Voluntariado”.

Esta organização de âmbito nacional, envolveu desde a sua génese muitas organizações da sociedade civil, incluindo a Animar, que sentiam a necessidade de existência de uma entidade de cariz federativo no domínio do Voluntariado que pudesse representar este movimento institucional na sociedade portuguesa e fomentar o seu trabalho em rede.

No momento de abertura foi ressalvado pelo Presidente da CPV Eugénio da Fonseca, os desafios do presente e do futuro, e em tempos de pandemia, que as organizações que integram voluntariado atravessam de momento.

Na sua comunicação, o convidado sociólogo Manuel Carvalho da Silva explanou o tema da proposto para o webinar, incluindo o facto de os impactos que estamos a viver não serem definitivos, sendo que precisamos de encontrar um mapeamento de alternativas das características do antes pandemia e como se está a projetar no tempo presente para podermos percecionar o sentido do futuro. Propôs a necessidade reajustamentos numa caminhada que nos possa conduzir a um novo enquadramento institucional mais forte, nomeadamente através das organizações de base darem mais poder efetivo à CPV através da introdução de produtos e práticas.

Chamou também a atenção para um mundo com uma multiplicidade de desafios, nomeadamente: um determinismo tecnológico, a análise das profissões que têm continuidade ou não futura, a economia política do cuidado, etc.

Na sua comunicação, evidenciou que a sociedade é feita de muitas flexibilidades que tendem a aumentar, pelo que precisamos de um caminho que produza maior coesão social e mais capacidade inovadora, tempos de trabalho mais reduzidos que podem conjugar-se com dimensões importantes que incidam na economia e no bem estar. É possível este caminho com uma agenda de política e social nova. As pessoas precisam de controlar o seu tempo, diminuir as dificuldades para as gerações que estão em maior dificuldade, não deixar que a crise se torne a maior influenciadora dos impactos e situar as causas na relação entre os humanos.

Na sua perspetiva, há novas exigências, mas temos de abrir caminhos. Não abdicar do que fomos construindo e que tem valor no domínio público e no desenvolvimento do voluntariado, e agir sobre o consolidado deitando mão aos valores de humanismo, de bem comum e de não instituirmos um estado de emergência como normalidade mas como exceção. Sugeriu ver o voluntariado como a expressão da cidadania e no enriquecimento da cidadania social, sendo que na nova geografia do voluntariado, as situações e os espaços que reclamam o voluntariado tendem a aprofundar-se.

Associação Académica da Universidade do Minho e a Cresaçor foram convidadas a dar o testemunho das suas práticas que deram lugar à atribuição do Troféu Português do Voluntariado 2020.

A Cresaçor, na pessoa da Ana Silva, deu testemunho do seu projeto “Sertã solidária” que tem por base o combate ao desperdício alimentar, sendo que a pandemia afetou a dinâmica do projeto porque os restaurantes de São Miguel que tinham excedentes deixaram de o ter para alimentar famílias e pessoas isoladas. Assim, tiveram de reestruturar o programa de voluntariado quer por questões de mobilidade dentro da ilha motivadas pelo confinamento, quer por uma diminuição de excedentes alimentares. Aproveitaram esta paragem para avaliar o seu programa de voluntariado e para capacitar as pessoas voluntárias. O futuro próximo do programa de voluntariado dependerá também muito da evolução da pandemia, porque a restauração é um dos grandes parceiros deste projeto. As pessoas estão sedentas de proximidade e carinho e a pandemia tem dificultado muito esta ligação e atribulado a dedicação de tempo no trabalho de voluntariado que realizam. O projeto deve ser um complemento de alimentação, mas a centralidade da atuação voluntária não se esgota aqui, sendo determinante dedicar tempo a escutar as pessoas.

Susana Queiroga, Vice Presidente do CPV ressaltou da sessão que é preciso pensar um reajustamento da legislação prudente porque a realidade está em mudança, sendo que há necessidade de chamar outros atores para o debate e interação. O tempo é o bem mais fundamental do voluntariado para fazer acontecer, pelo que é importante o seu uso racional.

Célia Lavado - Animar