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APAV registou em média 63 crimes por dia em 2015 (O Ribatejo, 31/3/2016)

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Neste artigo resume-se o relatório anual da APAV de 2015 relativo à violência doméstica, onde também se traçam os perfis das vítimas.

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) registou uma média de 63 crimes por dia em 2015, segundo dados divulgados esta semana que revelam um total de 23.326 casos, um número que subiu 13% nos últimos dois anos.
O Gabinete de Apoio à Vítima de Santarém trabalhou 356 processos de violência doméstica no distrito.
O Gabinete de Apoio à Vítima de Santarém trabalhou 385 processos de violência doméstica no distrito em 2015, registando um aumento em relação ao ano anterior em que se registaram 370 processos. Para Carmen Ludovino, gestora do GAV de Santarém, “este aumento do número de casos no distrito, em linha com os números nacionais, não quer dizer que haja mais violência, mas revela que as pessoas estão mais sensibilizadas, atentas e informadas e recorrem mais à linha nacional de apoio gratuito”.

A nível nacional, também cresceu o número de vítimas (10,1%), passando de 8.733 em 2013, para 8.889 no ano seguinte e para 9.612 no ano passado, assim como os processos de apoio, que subiram de 11.800 em 2013 para 12.837 em 2015 (8,8%).
Em declarações à agência Lusa, o presidente da APAV, João Lázaro, afirmou que estes dados “mais do que transparecerem um aumento da criminalidade”, significam que “as pessoas estão mais sensibilizadas para pedir ajuda e para tentar ultrapassar as consequências negativas de terem sido vítimas de crime e procurarem saber quais são os seus direitos e como exercê-los”.
João Lázaro adiantou ainda que esta tendência de aumento do número de pessoas atendidas e apoiadas pela APAV contraria “uma tendência anterior, de há três, quatro anos” provocada pela crise, que fez com que “muitas vítimas de crime não procurassem ajuda e permanecessem no silêncio”.
Segundo o relatório anual de estatística da APAV, 80% dos casos (18.679) dizem respeito a crimes de violência doméstica. Entre estes crimes, a APAV realça os maus-tratos físicos (7.507) e os maus-tratos psíquicos (5.167), que totalizam mais de 50% dos registos.
Das vítimas que recorreram aos serviços da associação em 2015, 82,2% eram mulheres, com idades entre os 25 e os 54 anos (39,5%).
Segundo o relatório, 30% eram casadas e viviam numa família nuclear com filhos (37,7%). A maioria vivia em Lisboa (20,4%), no Porto (12,1%) e em Faro (9,5%).
O grau de ensino das vítimas situa-se entre o ensino básico, secundário e superior (16,6%), sendo que 27,8% trabalhavam.
A APAV constatou que em 58,4% dos casos os agressores eram companheiros, ex-companheiros, cônjuges, ex-cônjuges, namorados e ex-namorados.
Em 23,8% dos casos, os agressores foram familiares (avós, fi lhos, netos, pais, irmãos).
Sobre o perfil do agressor, a APAV refere que 81,3% eram homens, com idades entre os 35 e os 54 anos (25,5%), 31,9% eram casados e trabalhavam (29,5%).
Houve ainda 388 casos em que as vítimas eram homens, com uma média de idade de 49,6 anos, a maioria casados. 54,2% estavam empregados, 20,8% reformados e 18,7% desempregados.
Quase metade (48,7%) tinha o ensino superior e 18,7% estavam desempregados.
Em metade dos casos, a agressora foi a mulher, enquanto em 20,4% das situações foi a companheira e em 12,1% a ex-companheira.
A APAV registou ainda 131 casos de agressões em relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo.
A vitimação mais registada pela APAV foi de “tipo continuado”, assinalada em 74,7% dos casos. Em 16,3% das situações duravam, em média, entre os dois e os 6 anos.
Os locais do crime mais referenciados foram a residência comum (5.976), a residência da vítima (1.590) e a via pública (1.105).
Fora do âmbito dos crimes contra as pessoas, o relatório realça os crimes patrimoniais, nomeadamente o crime de dano, com 229 registos (15%).
Destaca também as “outras formas de violência”, que incluem o bullying e o stalking (assédio persistente) e representaram mais de 500 queixas (2,5% do total das denúncias).
Em vésperas da apresentação pelo Governo do Relatório Anual de Segurança Interna de 2015 à Assembleia da República, a APAV vem sublinhar “a necessidade de tornar efetivos, para além do texto da lei, os direitos de quem sofre um crime”.

João Baptista
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Perfis em foco
Resultante de um vasto trabalho de pesquisa e procurando dar a conhecer a população que procura os serviços da APAV, passamos a apresentar uma listagem de diversos perfis das vítimas de crime que contactam a APAV.

PERFIL GERAL DA VÍTIMA
• Sexo Feminino (82,8%)
• Idade média (40,7 anos)
• Casad@ (38,3%) | Solteir@ (28,7%)
• Família nuclear com filh@s (49,2%)
• Ensino superior (25%) | Secundário (17,3%) | 3.º ciclo (16,2%)
• Empregad@ (38,9%)
• Relação com autor/a crime: Cônjuge (27,7%) | Companheir@ (14%) | Filh@ (11,9%) | Pai/mãe (8,9%) | Ex-companheir@ (8,1%)

VÍTIMA SEXO MASCULINO (N: 1.641)
• Adulto (45,6%) | criança / jovem (38,9%) | idoso (15,5%)
• Idade média (33,7 anos)
• Solteir@ (54,2%) | casad@ (28,5%)
• Família nucler com fi lh@s (49,9%)
• 1.º ciclo (18,4%) | ensino superior (15,2%) | 2.º ciclo (12,5%)
• Estudante (35,4%) | empregad@ (27,5%)

VÍTIMA ADULT@ (N: 5.069)
• Sexo feminino (88,9%)
• Idade média (40,7 anos)
• Casad@ (39,7%) | solteir@ (20,7%)
• Família nuclear com fi lh@s (50%)
• Ensino superior (31,4%) | ensino secundário (23,9%)
• Empregad@ (48,7%) | desempregad@ (34,1%)

VÍTIMA CRIANÇA/JOVEM (N: 1.084)
• Sexo feminino (54,6%)
• Idade média (9,9 anos)
• Família nuclear com filh@s (49,6%)
• Pré-escolar (23,8%) | 1.º ciclo (23,6%)
• Estudante (94,4%)

VÍTIMA IDOS@ (N: 977)
• Sexo feminino (80,5%)
• Idade média (75,4%)
• Casad@ (58,4%) | viúv@ (29,5%)
• Família nuclear com fi lh@s (39%)
• 1.º ciclo (33,3%) | ensino superior (19,2%)
• Não sabe ler nem escrever (13,3%)
• Reformad@ (90,1%)

 

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