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Medidas de emprego só servem para mascarar estatísticas (Mensageiro de Bragança, 1/11/2018)

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“As medidas públicas de emprego servem, sobretudo, para limpar estatísticas.” A crítica foi deixada esta segunda-feira por Ivone Florêncio, a responsável pelo Núcleo Distrital de Bragança da Rede Europeia Anti-pobreza (EAPN) durante um seminário que pretendeu assinalar o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que foi no passado dia 17.

“As medidas dão prioridade a pessoas que estão a receber subsídios como o de desemprego e RSI (Rendimento Social de Inserção) e essas pessoas dificilmente aceitam ir trabalhar porque já têm uma prestação, é um direito que elas têm, e ao irem trabalhar em nada lhe vai ser compensatório relativamente ao que auferem”, afirmou, pois “acabam por ter despesas com a creche dos filhos, com a deslocação, com alimentação, que estando em casa não têm”, explicou aquela responsável. Para além disso, devido aos baixos salários, “trabalhar não lhe vai modificar, a situação de pobreza em que se encontra, nem garantir que vai ficar a trabalhar.” “A única coisa que vão estar é a trabalhar durante algum tempo afetas a uma instituição, a receber pouco mais do que o que receberiam estando em casa, fazendo as contas se calhar ainda vão receber menos com os custos que implica”, acrescentou.

Por outro lado, as próprias instituições preferem “pessoas que estejam a receber esses apoios porque lhes fica mais barato, ao centro de Emprego interessa-lhe colocar essas pessoas porque ao irem trabalhar deixam de contar para as estatísticas do desemprego”, apontou.
“Mas, no fundo, nem estão a contribuir para a empregabilidade, porque acabando a medida a pessoa volta a ficar desempregada, a instituição volta a ir buscar outra na mesma situação e temos aqui um ciclo”, frisou.

Esta situação cria um ciclo vicioso, que afasta os mais jovens do mercado de trabalho.
“Quem nunca trabalhou nem por aí consegue estar no mercado de trabalho porque nunca lhe dão essa oportunidade” e “o mesmo acontece com os estágios profissionais para recém-licenciados”, que raramente garantem emprego com duração.

“Fragilidades do Mercado de Trabalho Local - Desencontros entre a oferta e a procura” foi o tema desta mesa redonda que juntou instituições do lado da oferta e do lado da procura de emprego.

 

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