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Acreditar criou laços que vão viajar até à Vila Natal (Diário de Coimbra, 7/12/2018)

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Júlia Rodrigues é «uma sobrevivente de cancro infantil». Ela própria se assume assim quando começa a conversa em que pretende dar a conhecer o seu novo projecto, que vai levar alguns mimos a meninos e meninas que precisam, tal como ela precisou no momento mais duro da sua vida. Júlia foi utente da Casa Acreditar (Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro) em Lisboa, no seguimento dos tratamentos ao linfoma de hodgkin que lhe foi diagnosticado quando tinha 15 anos. Hoje com 19, tem a doença controlada e já não é “Barnabé” (utente da Acreditar), mas voluntária na Acreditar de Coimbra e amanhã prepara-se para levar a cabo a sua primeira grande actividade enquanto responsável pelo núcleo de “Barnabés” de Coimbra. «Passei por lá e sei como é passar uma data festiva com pouca festividade», começa por dizer, explicando que o seu objectivo para esta quadra natalícia é levar os meninos e meninas da Acreditar de Coimbra a um passeio a Óbidos Vila Natal. Para isso juntou artistas do Salão 40 (ao qual também pertence) que leva amanhã à Casa da Esquina onde promove uma pequena feira de artes, convidando a comunidade a visitar e a fazer algumas compras. Toda a verba reverte para a viagem a Óbidos. «São trabalhos feitos com muita precisão», garante a jovem.


Laços na Acreditar

A história recente de Júlia Rodrigues começa no dia em que ficou a saber que tinha um linfoma de hodgkin e o mundo quase que desabou sobre si e sobre a sua família. Oriunda de Leiria, fez tratamentos em Coimbra e, posteriormente, um transplante de medula em Lisboa, onde esteve na Acreditar. «Criei laços, comecei a envolver-me nas actividades», recorda. A nova vida a que ficou obrigada fez os pais mudarem-se para Coimbra para poder fazer tratamentos. «Tem sido muito duro, são mudanças atrás de mudanças e ainda não acabaram. Amanhã é um dia novo e logo se vê», conta.
No meio das dificuldades, os «laços» que Júlia criou na Acreditar chegaram ao ponto de ter sido convidada a ficar responsável pelo núcleo de “Barnabés” de Coimbra. Foi em 2017, «logo a seguir ao transplante», recorda, explicando que nesta altura passa «mais tempo em casa a planear actividades» para as crianças do que na instituição a fazer voluntariado. «É uma coisa que sinto mesmo que tenho de fazer porque passei por lá», desabafa.
Júlia gosta de cinema e pretende, no próximo ano, concorrer à licenciatura em Estudos Artísticos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Por agora termina o 12.º ano que foi atrasado por causa da doença. «Sempre fui das ciências, mas com todas estas mudanças percebi que a minha paixão são as artes», conta a jovem que, qualquer que seja o futuro a ter pela frente, vai ter a Acreditar sempre presente. «Quero fazer com a Acreditar tudo que puder e levar onde puder levar», diz.

Margarida Alvarinhas

 

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