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Economia social e responsabilidade social: duas faces de uma mesma moeda? (Negócios, 7/2/2019)

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A Comissão Europeia definiu Responsabilidade Social das Empresas (RSE) como "a integração voluntária de preocupações sociais e ambientais por parte das empresas nas suas operações e na sua interação com outras partes interessadas", ou seja, contribuir, numa base voluntária, para uma sociedade mais justa e um ambiente mais limpo. Pelo menos do ponto de vista teórico, estas preocupações já fazem parte das organizações da Economia Social (ES) que, tendo as pessoas como referência primeira, não podem deixar de se preocupar com os modelos de organização social e os contextos ecológicos que as servem. Ainda assim, não nos parece que a temática mereça o devido aprofundamento no âmbito da ES, pelo que é pertinente trazer a debate as diferentes dimensões da Responsabilidade Social (RS) nas organizações da ES. São seis as dimensões a considerar: comunicacional, ambiental, política, cultural, solidária e de intercooperação e das relações internas. A dimensão comunicacional é das mais importantes. A RS exige intervenientes capacitados e informados e isso passa por estratégias de consolidação e reforço de identidade quer com a organização quer com os objetivos estratégicos que persegue, e medidas de afirmação da imagem, facilitadoras da criação de parcerias e redes e de processos que tornem fluida a informação. Por outro lado, a dimensão ambiental estritamente considerada, quer do ponto de vista da organização interna no fomento de práticas ecológicas, quer ao nível da participação externa na resolução de problemas identificados pela comunidade, é altamente mobilizadora de todos os atores que se movem em torno da organização. Outra dimensão relevante é a política, que tem implícita a representação da organização nos fóruns de reflexão e decisão política da comunidade, designadamente Conselhos Municipais, associações empresariais e de desenvolvimento e núcleos de iniciativa cívica Por outro lado, a dimensão solidária e da intercooperação, tendo em conta grandes objetivos de defesa de direitos e cidadania, como acautelar todas as formas de discriminação, promover mecanismos ativos de solidariedade intergeracional, cooperar na construção de mecanismos de inclusão social ou promover formas de intercooperação geradoras de oportunidades de acesso à educação, cultura, emprego e lazer, isto é, à cidadania plena para todos. Existe ainda, no âmbito do fomento da RS nas organizações da ES, a dimensão das relações internas, onde cabem as condições dignas e motivantes de trabalho ou a conciliação entre a vida profissional e familiar.

Sabendo que os caminhos podem ser diversos, fica um enunciado de referências para aprofundar a RS nas organizações, que tem alguns requisitos prévios: que todos conheçam bem o conteúdo e sentido da missão e visão que estatutariamente consagraram; que tenham bem presente uma ética organizacional vinculativa para todas as partes; que definam com clareza os mecanismos de monitorização das ações a desenvolver. Depois, há que definir um plano de ação que tenha presente três espaços de intervenção: o local de trabalho, o meio ambiente, a comunidade. No caso da comunidade, a identificação de prioridades com os outros agentes locais facilitará a formação de parcerias, nomeadamente em matéria de direitos, onde as organizações da ES devem estar na linha da frente nos processos de consciencialização e debate e na tomada de posições públicas.

Rogério Cação,
Presidente da Direção da Confederação Cooperativa Portuguesa - Confecoop

 

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