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Um terço dos beneficiários das IPSS passa fome (Impulso Positivo, 8/7/2015)

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Uma em cada três pessoas que recorreram a instituições de solidariedade social no ano passado afirmaram ter passado fome pelo menos uma vez por semana devido à falta de dinheiro, revela um estudo realizado em 216 instituições. Mesmo assim a situação entre 2014 e 2015 melhorou bastante face a 2012. Segundo o estudo, promovido pelo Banco Alimentar contra a Fome e pela Entreajuda, cerca de 20% dos 1.889 utentes de instituições sociais inquiridos afirmaram ter tido falta de alimentos ou sentido fome alguns dias por semana nos seis meses anteriores e 13% referiu que tal aconteceu pelo menos um dia por semana . Apesar disso, “verificou-se um aumento significativo das utentes que referem nunca ter tido fome ou falta de alimentos por falta de dinheiro, diminuindo o percentagem daqueles que sentiram fome au falta de alimentos alguns dias por semana”, diz o estudo. Ainda assim, 26% dos utentes referiu que tinha passado um dia inteiro sem ingerir quaisquer alimentos por falta de dinheiro, percentagem que em 2012 era de 39%. A percentagem de utentes que recorreu à ajuda das instituições de solidariedade social (51%) mantém-se ao mesmo nível de 2012 e o apoio alimentar, na forma de cabazes ou refeições, foi a principal área em que os inquiridos receberam ajuda (87% dos casos). Os inquiridos no estudo são na sua maioria desempregados (38%) ou reformados (29%), com uma média de idades de 53 anos, e na maioria casados ou a viver em união de facto (43 por cento). Em 66% dos casos havia uma ou duas pessoas desempregadas no agregado familiar, que eram constituídos em média por três pessoas. Relativamente à situação económica, em 52% dos agregados familiares, o rendimento mensal era igual ou inferior a 400 euros (25% das famílias ganhavam menos 250 euros. 28% entre 251 e 400 euros. 20% entre 401 e 500 euros e 28% mais de 500 euros), dados que se mantèm em relação a 2012. A casa (70%) e a alimentação (64%) eram as duas maiores despesas, de acordo com os inquiridos, seguidas das despesas com a saúde (39%). Cerca de metade dos inquiridos (50%) referiu gastar, por mês, com a casa (incluindo renda ou empréstimo, água, luz, gás. telecomunicações) até 250 euros e cerca de um quarto gastava entre 251 a 400 euros mensais com a casa. Para 53% dos utentes, o rendimento da família nunca era suficiente para viver e 33% referiu que às vezes era suficiente. O inquérito adianta que. apesar do sentido negativo das respostas, os inquiridos têm uma perceção sobre o seu rendimento familiar mais positiva do que em 2012 (60% dizia em 2012 que o rendimento da família nunca era suficiente para viver). Os dados do estudo permitem perceber uma “ligeiro melhoria dos condições de vido das indivíduos au pela menos da perceção que estes têm acerca daquelas”. Em 2010, cerca de 72% dos inquiridos dizia sentir-se pobre, dois anos depois tal situação foi apontada por 82% e em 2014 o valor é de 79%. Entre os que se sentem pobres destacam-se sobretudo aqueles que têm menos de 65 anos, com rendimentos baixos e com escolaridade abaixo do ensino secundário. Sobre as causas da situação de pobreza, 47% das respostas atribuem a sua pobreza ao desemprego ou aos baixos rendimentos, enquanto 38% dos inquiridos consideram que são pobres devido a alguma fatalidade (destino, doenças ou acidentes). A maioria dos inquiridos (55%) considerou que a sua vida estava pior do que há cinco anos e. quando perspetiva o futuro, a maioria (42%) considera que a sua vida estará igual e 30% que estará melhor.

 

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