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Uma Resposta à falta de políticas públicas

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As primeiras iniciativas de Economia Solidária surgiram nos Açores na década de 90, como forma de luta contra a pobreza e a exclusão social.

As primeiras iniciativas de Economia Solidária surgiram nos Açores na década de 90, como forma de luta contra a pobreza e a exclusão social, tendo como preconizadores a Associação Aurora Social e a Cooperativa Kairós, seguidos dos Centros de Economia Solidária, integrados em Projetos de Luta Contra a Pobreza, e dinamizados por diversas IPSS em parceria com o Governo Regional. 
A Cresaçor nasceu no âmbito do Projeto de Luta Contra a Pobreza IDEIA (1999-2005) e pela criação de um programa para o desenvolvimento das Empresas de Inserção socioprofissional dos Açores, tendo assumido personalidade jurídica em 2000 sob a forma de Cooperativa de Solidariedade Social. 
Surgiu no fundo e segundo a coordenadora geral da Cresaçor, Célia Pereira, para representar as organizações e os seus centros de economia solidária, que entretanto tinham criado empresas de inserção social para formar e capacitar públicos em risco através de formação on job. 
No âmbito das empresas de inserção social começaram a surgir produtos e serviços de origem de economia solidária e que era necessário colocá-los no mercado e promove-los para angariar clientes. E com esta missão de promoção do Movimento de Economia Solidária aliando as dimensões do desenvolvimento local e comunitário, da formação profissional, pessoal e social e da produção e comercialização, que surge a Cresaçor. 
Para promover um Sistema de Marketing Social fortalecendo o movimento da Economia Solidária nos Açores, foi desenvolvida uma Marca dos Produtos de Economia Solidária Marca Cores. Esta marca evoluiu ao longo dos últimos anos para aquilo que “hoje temos como o selo de garantia Cores, que no fundo é o selo que dá garantia aos consumidores de que aqueles serviços e produtos são de origem de economia solidária e respeitam um conjunto de princípios e valores da economia solidária, nomeadamente a tradição, a cultura, o local, sustentabilidade, o ambiente, entre outras afirma Célia Pereira.

Economia solidária não é assistencialista 
Um dos fundadores da Cresaçor foi Artur Martins. Desde sempre ligado à causa social, Artur Martins, em declarações ao Açoriano Oriental, sobre os 15 anos da Cresaçor, considera que a economia solidária “continuará a ser fundamental na luta pelo direito de todos à autonomia mediante a obtenção de um rendimento através do trabalho, quer seja no âmbito de iniciativas empresariais incubadas em IPSS ou ONG, ou através da mobilização do potencial empreendedor de cada um, como apoio dos sistemas de microcrédito ou outros, com suporte público, ou ainda através da criação de organizações coletivas, como as cooperativas de base local, a partir da capacidade de animação de um conjunto de entidades públicas e privadas num determinado território”. 
A economia solidária será sempre necessária, afirma Artur Martins pelo facto de “ainda não existir por parte dos Governos disponibilidade em criar uma política pública intersetorial, consistente e contínua, que articule a economia, a proteção social, a educação e formação, a saúde, a habitação e a cultura, no apoio à emergência de iniciativas empresariais de base comunitária para a integração socioeconómica, como elemento fundamental na prevenção das desigualdades e da pobreza e na promoção efetiva da coesão territorial”. 
A Economia Solidária, frisa “tem vindo a reforçar o papel das suas iniciativas na afirmação de respostas comunitária que assegurem a criação de postos de trabalho não somente como um meio de acesso a recursos monetários, mas também como um meio de preservação das interdependências sociais, de expressão efetiva dos direitos sociais de cada pessoa e de apoio à emergência de processos de desenvolvimento que, combinando localmente a ação pública e privada, contribuam para o aparecimento de territórios mais inclusivos. 
“Neste sentido, economia solidária não é nem nunca foi nos Açores um enunciado moralista e assistencialista. Pelo contrário, continua a ser, de forma comprovada, um esteio fundamental da afirmação de que o combate contra a pobreza e exclusão só se realizará de forma eficaz através de uma ação socioeconómica de base colaborativa, local e territorial acrescenta Artur Martins. 
Conclui que o terceiro setor “é hoje, além de uma prática e de um elemento ativo de apoio ao desenvolvimento local, um conceito de base técnico científica, adotado já pelas universidades com apresentação de cursos, mestrados e doutoramentos, como é exemplo o ISCTE, mas é, acima de tudo, desde a criação da Kairós, um processo assumido coletivamente por um grupo alargado de pessoas e IPSS dos Açores.

Ana Paula Fonseca, Açoreano Oriental, 14/6/2015

 

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