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O processo educativo e a empregabilidade (Correio do Minho, 8/3/2015)

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No âmbito da apresentação do Roteiro Associativo para a Empregabilidade foi realizada mais uma reunião de trabalho com as associações de ensino superior das Universidades e Institutos Politécnicos do distrito do Porto desta vez na sede da Direção Regional do IPDJ - Instituto Português do Desporto e Juventude, que contou com a presença ativa da FAP - Federação Académica do Porto, e que se integra numa dinâmica que vai envolver o associativismo jovem de toda a Região Norte.

Uma reunião onde foram abordados temas relacionados com os desafios do sistema educativo, da sociedade do conhecimento e os desafios da inovação, com o Observatório da Empregabilidade recentemente criado pela Reitoria da Universidade do Porto e, com as novas oportunidades e expetativas em relação ao surgimento de novas profissões. Centrando-se a reflexão, no percurso de mudança que se registou no país, ao longo das últimas décadas nas suas repercussões em relação ao futuro profissional dos jovens, e aos desafios da inserção no mercado de trabalho.

Mudança que passou por um reforço dos níveis escolaridade, da importância do capital humano no crescimento económico que, através dos três quadros comunitários de apoio, consubstanciou um modelo económico baseado na inovação e no conhecimento, transformando a qualificação dos portugueses em geral, e dos jovens em particular, como um dos fatores fundamentais da coesão territorial, social e geracional, que urge concretizar de forma sustentada.

Preocupação que impõe a adoção de novas soluções, que permitam criar uma identidade económica capaz de inovação e emprego, e de assegurar uma repartição de oportunidades, da riqueza e dos rendimentos de forma mais justa e mais solidária, sem qualquer tipo de paternalismo em relação aos jovens.

Portugal assistiu nos últimos trinta anos a uma democratização da educação, sem que a sua articulação com as necessidades reais das empresas e da sociedade tenha sido suficientemente acautelada, apesar do esforço feito pelas instituições do ensino superior através do desenvolvimento de spin-offs, das incubadoras de empresas municipais com o objetivo de desenvolvimento do empreendedorismo de base local e dos projetos de incubação e de I&D de iniciativa privada. Uma complementaridade fundamental, que tem faltado cumprir, para assegurar oportunidades de emprego sustentável e com valor acrescentado, que permitam reter os jovens mais qualificados.

Desafio de criatividade, inovação que implica a invenção de novos caminhos, onde o associativismo jovem (juvenil e estudantil), tem vindo a assumir um papel cada vez mais interventivo, ao nível do desenvolvimento de competências cada vez mais valorizadas pela sociedade, que implica sair dos esquemas tradicionais, os preconceitos e a tradição, sem pôr em causa os seus princípios fundacionais. Um processo que implica a geração de novos conceitos e novas ideias, num mundo laboral cada vez mais interdisciplinar, voltado par o saber-fazer associado às aprendizagens que resultam de experiências assentes na inovação.

Sendo, neste contexto, a participação ativa um contributo para robustecer um mercado de trabalho, que está em gestação através do associativismo jovem, e que anuncia uma nova postura das instituições de ensino superior e profissional, e de todos os agentes direta ou indiretamente ligados formação, educação e emprego.

Ao longo da última década foi feito um grande investimento na qualificação das novas gerações, que se consubstanciou no QREN - Quadro de Referência Estratégico Nacional e no POPH - Programa Operacional do Potencial Humano, em que a educação se assumiu como uma prioridade estrutural. No entanto, apesar da evolução positiva de muitos indicadores em matéria de educação, verificam-se alguns insucessos nas áreas relacionadas com os modelos de organização do trabalho, em que a empregabilidade ocupa um lugar de destaque, enquanto interface entre o sistema educativo e a sociedade e o mercado de trabalho.

As instituições de ensino e formação estão, a formar para um mercado que está saturado e/ou que não existe. Uma situação que tem verificado um esforço de inversão. Respondendo de forma tímida às exigências impostas pelas exigências pela mudança na organização do trabalho que se refletem nas novas trajetórias profissionais, com vista à promoção de uma maior empregabilidade, onde o papel da educação formal deverá desempenhar um papel estruturante, para o sucesso das políticas de emprego.

Assim a qualificação das novas gerações resulta das suas competências e do conhecimento adquirido no processo educativo, e no exercício das atividades cívicas, que conferem maior autonomia e eleva o nível de empregabilidade. Valorizando as competências transversais adquiridas no contexto associativo (gestão, dinamização e voluntariado), o processo de certificação da educação não formal, e do reconhecimento do emprego jovem, promovido pelo associativismo jovem (juvenil e estudantil). Sendo o roteiro associativo para empregabilidade, uma ação diferenciadora, que passa pelo envolvimento prioritário e pela valorização das associações estudantis e juvenis do ensino superior (Universitário e Politécnico), e ao associativismo juvenil de base local, enquanto investimento na educação não formal, na participação, cidadania e voluntariado e no estímulo a produção de projetos.

Uma nova abordagem, focada no protagonismo e na responsabilização dos jovens, de todos os sistemas de ensino e dos mais diversos contextos, de articulação da educação com a empregabilidade, potenciando a atitude empreendedora e o desenvolvimento da sua empregabilidade, com a visão de identificar e estimular os jovens a desenvolverem os seus percursos de vida.

Manuel Barros, Director Regional do Norte do Instituto Português do Desporto e Juventude

 

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