É altura de reorganizar a animação socioeconómica dos territórios

20/09/2022 |
É altura de reorganizar a animação socioeconómica dos territórios


Associada às celebrações do 29º aniversário da Animar, a  conferência "Inovação Social, para Quê?" assinalou ainda a celebração da primeira edição do Dia do Desenvolvimento Local, em Portugal.


A Animar – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local organizou, no dia 16 de setembro de 2022, uma conferência subordinada ao tema Inovação Social, para Quê? - o Desenvolvimento Local enquanto Setor de Inovação na Economia Social.

Realizada na Fundação EDP, em Lisboa, a iniciativa contou com a participação de mais de uma centena de pessoas, provenientes de realidades muito distintas, nomeadamente de organizações da sociedade civil, organismos públicos, entidades de economia social, municípios, instituições de ensino superior e empresas.

Marco Domingues, presidente da direção da Animar, destacou o papel da Animar ao longo dos anos no âmbito da promoção do desenvolvimento local e da defesa dos interesses das comunidades locais, mas também do seu contributo para a consolidação das políticas públicas em prol da igualdade de oportunidades, da promoção do emprego e da capacitação das entidades de economia social, em particular, das associações de desenvolvimento local.

Ao longo deste dia foi realizada uma reflexão sobre a temática da inovação social, nomeadamente o contributo de programas que têm vindo a contribuir para as políticas públicas com enfoque nesta temática, bem como o contributo das entidades de desenvolvimento local nos processos de inovação social.

No período da manhã decorreu um debate sobre o papel das entidades de desenvolvimento local nos processos de inovação social, que contou com a presença de José Manuel Henriques, Doutorado em Economia, que salientou a importância do movimento de Desenvolvimento Local para a criação de Inovação Social, e vice-versa, na medida em que só será possível lidar como a imprevisibilidade do futuro, se as políticas setoriais e macroeconómicas tiverem maior relevância no território. A este propósito, e face às crises que vivemos atualmente, o convidado questionou sobre qual o tipo de economia que precisamos, pois existem vários princípios de organização económica, destacando a relevância da economia de produção para o consumo para a criação de economia local.

José Manuel Henriques considera que “esta é uma altura para repensar a sua estratégia para responder aos desafios que surgem com a descentralização de competências”, entendendo tão importante como a mobilização, a avaliação das políticas públicas que vai para além das métricas exigidas pelos programas.

António Oliveira das Neves, consultor, refletiu sobre os constrangimentos que se impõem à Inovação Social, sobretudo ao nível regulamentar, e reforçou a importância da existência de uma Inovação Social orientada para as situações societais mais a longo prazo, com valorização dos processos de cooperação, enquanto pilares para a transformação da sociedade e da economia, destacando o potencial que a iniciativa Portugal Inovação Social pode ter e pode fazer para marcar essa diferença. Por fim, alertou ainda para que a transferência dos Programas Operacionais Temáticos para Programas Operacionais Regionais tem associado uma perspetiva de territorialização das políticas públicas, pelo que é necessário reorganizar a animação socioeconómica dos territórios.

Teresa Pouzada, diretora executiva da ADRITEM – Associação de Desenvolvimento Regional Integrado das Terras de Santa Maria, uma associação de Desenvolvimento Local (GAL), destacou o papel que os grupos de ação local têm para o trabalho de animação dos territórios. A este propósito destacou ainda a relevância da iniciativa Portugal Inovação Social e do apoio aos projetos, por via dos quais têm promovido inovação e criado novas respostas ao nível local, sobretudo ao nível do empreendedorismo jovem através do projeto GT Talent ou do apoio ao artesanato local no âmbito do projeto Rota Criativa.

Já no período da tarde contámos com a presença de Fernanda Freitas, que promoveu o lançamento do PodCast “InquietAÇÕES”. Uma rubrica semanal, em conversa com pessoas que transformam as suas comunidades, no âmbito da qual serão apresentadas atividades e serviços inovadores cujo objetivo é superar algum tipo de necessidade social.

O PodCast InquietAÇÕES” contribuirá também para uma maior visibilidade de práticas do Desenvolvimento Local, dando ênfase a diferentes temáticas de experimentação e Inovação, esperando assim contribuir para despertar o interesse de outras pessoas para estes temas. Mais informações AQUI (https://www.animar-dl.pt/iniciativas-animar/roteiros-animar/roteiro-inovacao-social/podcast-inquietacoes/)

De seguida, Filipe Almeida, Presidente da Estrutura Missão Portugal Inovação Social (EMPIS), congratulou a Animar pela realização desta conferência e partilhou como a iniciativa Portugal Inovação Social foi inspirada na Iniciativa Comunitária EQUAL, a qual foi também apresentada neste encontro por Sandra Almeida.

Para o Presidente, a EMPIS tem como finalidade financiar a experimentação social local, considerando como sendo um laboratório de observatório de políticas públicas. A este propósito partilhou a dificuldade de construção de políticas públicas com uma maior participação de jovens tendo em vista um maior fortalecimento das respostas e das redes. Por fim, Filipe Almeida partilhou que para futuro o financiamento da inovação social será realizado pelos Programas Operacionais Regionais exclusivamente, o que permitirá o ajuste às características dos territórios, conforme foi abordado no período da manhã, sendo que a gestão se mantém na EMPIS.

Não podendo estar presentes nesta Conferência, foram ainda partilhadas mensagens de Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, da Senhora Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, da Senhora Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa.

Estas iniciativas foram desenvolvidas no quadro do projeto Animar – Capacitar para Agir em Rede III, cofinanciado pelo POISE - Programa Operacional de Inclusão Social e Emprego.

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