Percursos de vida no poder local

28/10/2021 |
Percursos de vida no poder local

No âmbito das comemorações do 11º aniversário do dia Municipal para a Igualdade, realizou-se no dia 22 de outubro um webinário sobre “Percursos de Vida no Poder Local", organizado pela parceria do Projeto "Rede de Autarquias para a Igualdade", que contou com a participação de Sandra Ribeiro, e Ana Paixão Presidente da Direção - Questão de Igualdade – Associação para Inovação Social.

Nesta iniciativa, Sandra Ribeiro, presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG), relembrou a importância da Rede Autarquias para a Igualdade, o papel que desempenham ao colocar em discussão o tema da Igualdade. Referiu também a importância de desmistificar preconceitos e estereótipos de género, dar visibilidade e publicitar para a sociedade o trabalho feito por mulheres em cargos executivos do poder local, dando a conhecer algumas estatísticas do recente ato eleitoral (https://bityli.com/N1I8zv ) demonstrativas de alguma estagnação na evolução (2005-2021) da representatividade de mulheres eleitas, na presidência de Câmaras e até mesmo de freguesias. Questionando se o envolvimento na vida local, prejudica a vida pessoal e se a instabilidade dos cargos com exposição pública é mais agressiva quando se trata de mulheres, Sandra Ribeiro incitou a reflexão sobre o porquê desta estagnação e a força que inibe as mulheres nos momentos de serem eleitas, deixando o desafio para uma avaliação ao trabalho feito por homens e mulheres autarcas.

Paula Cosme Pinto, jornalista do Expresso, moderou a mesa redonda, na qual foi incitada a reflexão em torno do papel desempenhado pelas mulheres em cargos de tomada de decisão e as repercussões do exercício dessas funções na conciliação entre a vida profissional, familiar e pessoal.

De realçar a o consenso que existe sobre as dificuldades de conciliação da vida política com vida familiar, exigindo grande esforço, onde o suporte familiar é um alicerce imprescindível para o progresso na carreira política de qualquer mulher. As mulheres que iniciaram a sua carreira há mais tempo, num mundo completamente dominado por homens, dizem ter sido difícil e expostas a muita pressão. Outro aspeto comum diz respeito ao sentido de Missão pela causa pública, e o sentido de Cuidar, as mulheres são as principais cuidadoras, cuidam das crianças – filhos/as e netos/as, e cuidam das pessoas mais idosas.

O percurso político das mulheres que participaram nesta sessão foi feito por diversos acessos: quer seja através da família, porque os pais já estavam na política, ou pelas oportunidades que foram surgindo, nomeadamente porque eram funcionárias de câmara, integraram listas de freguesias, ou desempenharam cargos de vereadoras. Destacam-se alguns destes exemplos: Filipa Roseta entrou na política porque acreditava que é capaz de mudar o Mundo. Arquiteta de profissão tem provas dadas de que é possível mudar o mundo: o Bairro do Fundo do Mundo depois de intervencionado passou a ser Bairro da Boa Nova. Na perspetiva da ex-vereadora, o trabalho autárquico é o local por excelência para mudar o mundo. Maria José Coelho, representante do Município de Mangualde, destaca a oportunidade de poder ter maior proximidade com as pessoas e poder defender os interesses de toda a população. Maria José Cardoso, presidente de junta de freguesia em Vila Nova de Gaia integra um Município Cuidador. Passou por vários cargos produzindo relações de confiança com as mulheres do seu povo, o que em seu entender facilita a ligação. Refere a importância do papel dos movimentos de cidadãos para esbater as desigualdades existentes nas diferentes áreas do poder. Por fim, Maryline Zacarias, vereadora do Município de Loulé, desde muito cedo esteve ligada ao associativismo. Sente realização e tem todo o apoio da família para poder se poder dar ao município.

Estas mulheres são exemplo de que muito tem sido feito pela igualdade de homens e mulheres em cargos de decisão no poder local. Contudo, deixam claro, o muito que há ainda por fazer. Existe um longo caminho a percorrer para que as mulheres possam aceder aos lugares de decisão e poder na esfera pública! Importa criar mecanismos de apoio à conciliação da vida pessoal e política para que as mulheres no poder local se possam afirmar cada vez mais.

Carolina Barrocas, Dinamizadora Regional - Alentejo e Algarve